Esse livro é um depoimento corajoso de
uma mulher paquistanesa clamando por justiça num país onde a mulher não tem vez
e nem direito de reivindicar coisa alguma, quanto mais justiça.
Título
Original Francês: Déshonorée
Autora: Mukhtar Mai
Colaboração: Mariah-Thérèse Cuny
Editora: BestSeller
Autora: Mukhtar Mai
Colaboração: Mariah-Thérèse Cuny
Editora: BestSeller
Ano: 2007
Total de páginas: 151
Total de páginas: 151
Em 22 de junho de 2002, Mukhtaran Bibi é escolhida pela família a pedir perdão aos Mastoi – o povo mais poderoso da aldeira de Meerwala. Tudo porque o irmão mais novo dela, de apenas 12 anos, é acusado de falar com Salma – uma moça Mastoi. Acontece que Mukhtaran Bibi faz parte de uma casta inferior aos Mastoi, os Gujjar – pequenos agricultores da aldeia -, povo que sempre foi humilhado e odiado pelos influentes Mastoi.
Era costume
nesse tipo de situação que a família humilhada pedisse perdão através de uma
moça respeitável aos algozes, e a escolhida da vez foi Mukhtaran Bibi. No
entanto, nem ela, nem a família, imaginavam o horror que estava por vir na
jirga – uma espécie de assembléia onde os influentes da aldeia julgavam os
casos de contenda entre os clãs.
Mukhtar Mai foi
condenada pelo conselho tribal (formado quase totalmente pelos Mastoi), e como
forma de vingança foi estuprada sucessivamente por quatro homens, sendo
despachada seminua depois. Em casos como este era costume das mulheres
vitimadas suicidarem-se, pois não suportavam a dor e a vergonha depois do
ocorrido. No entanto, pela primeira vez, uma mulher paquistanesa teve coragem e
denunciou o caso à polícia, chamando a atenção da sociedade local e também da
imprensa internacional.
No relato de
Mukhtar Mai fica claro que as autoridades locais faziam de tudo para abafarem
esse tipo de crime, aproveitando-se da ignorância das mulheres, visto que estas
são em sua maioria, analfabetas e assim, não têm como saber o que exatamente
assinam nas delegacias de polícia onde prestam seus depoimentos.
Já li livros
onde mulheres do Oriente Médio sofrem abusos físicos e psicológicos, mas foi a
primeira vez que conheci uma história onde a mulher abusada luta por justiça
desafiando séculos de tradição.
- Em 2004 Mukhtar Mai recebeu uma indenização e com ela abriu uma escola inicialmente para meninas e depois a ampliou para meninos, lutando inclusive para que os filhos de seus agressores fossem matriculados na escola. Em 2010 já haviam em torno de 600 crianças matriculadas nas escolas.
- Mukhtar Mai teve sua história contada pelo The New York Times – que a comparou como a Rosa Parks do século 21 (Rosa Parks é a americana símbolo do movimento dos direitos civis nos EUA).
- Com a ajuda da organização filantrópica americana Mercy Corps, Mukhtar Mai consegue abrir um abrigo para mulheres vítimas de estupro (Centro Mukhtar Mai de Assistência às Mulheres) e adquire uma ambulância para seu vilarejo.
- Em 2005 Mukhtar Mai foi eleita “Mulher do Ano” por uma revista americana.
- Nesse mesmo ano quando Mukhtar Mai se prepara para ir aos EUA dar uma palestra, o governo paquistanês temendo manchar a imagem do país perante a sociedade internacional, a mantém em cárcere privado e por celular Mukhtar Mai denuncia o sequestro.
- Em 2007, o Conselho Europeu outorgou à Mukhtar Mai o North-South Prize de 2006 por contribuição notável aos direitos humanos.
- Mukhtar Mai conhece Mariah-Thérèse Cuny e com a colaboração desta relata sua história no livro Desonrada.
- Mukhtar Mais ainda visitou a França sendo recebida pelo Ministro de Relações Estrangeiras.
- Deixo aqui um vídeo do discurso de Mukhtar Mai no Freedom Forum 2010 em Oslo - Noruega.
“Eu tenho uma mensagem para as mulheres do mundo, todas as mulheres que foram estupradas ou foram vitimas de violência. É preciso falar sobre o que houve e lutar por justiça.” (Mukhtar Mai)
No ano que
Mukhtar Mai foi estuprada 804 casos de estupros coletivos foram registrados no
Paquistão.
“Se pelos
estranhos caminhos do destino posso ajudar, desse modo, o meu país e o seu
governo, é uma grande honra que me é feita. Que Deus proteja minha missão.” (Mukhtar Mai)


























































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